Viabilidade Econômica da Adubação Fosfatada em Pastagens
01-01-2006
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Assessoria Agronômica Ouro Verde

Estima-se que o Brasil possui cerca de 200 milhões de hectares
de pastagens, dos quais, segundo o IBGE (1996), 44% são pastagens
nativas e 56% são pastagens cultivadas. Desta área é cada vez mais
frequente encontrar pastagens em algum grau de degradação, que se
inicia com um simples processo de perda de vigor das plantas e
entrada de invasoras e se estende até consequências mais graves
como a erosão, o assoreamento de rios e a redução na rentabilidade
do sistema, esta última resultado da redução na lotação de animais
e na oferta de forragem.
Dentre as principais causas de degradação podemos citar o manejo
incorreto da pastagem, com falhas no período de implantação e no
período da manutenção.
No período de implantação, as falhas mais comuns que levam a
degradação da pastagem estão associadas ao uso de fogo, à escolha
equivocada da espécie, sem levar em consideração a fertilidade do
solo (Tabela 1) e a falta de adubação fosfatada.

Na fase de manutenção os principais problemas que levam a
degradação da pastagem estão associados ao manejo incorreto dos
animas em relação à altura de pastejo (Tabela 2), e a falta de
adubação de manutenção.

Uma das saídas, muitas vezes utilizada na tentativa de se
conviver com a baixa fertilidade da maioria de nossos solos, é
através da escolha de espécies de menor exigência por fertilidade.
Tal estratégia leva o proprietário a um ciclo de sucessivas trocas
de forragem (Figura 1), cada uma menos exigente em fertilidade e
menos produtiva. A consequência desta ação é muitas vezes perigosa,
deixando a atividade cada vez menos rentável.

Uma das principais ferramentas para a inversão do processo de
degradação é a adubação de pastagens, tanto na implantação, quanto
na manutenção. A viabilidade desta intervenção é extremamente
variável, em função de quesitos técnicos (eficiência dos
fertilizantes, clima, solo e animal) e quesitos econômicos (preço
dos insumos e preço de venda do produto animal, carne ou leite)
(Figura 2).

Maya (2003), em seu trabalho obteve lucratividade na ordem de
R$575,00/ha.ano, demonstrando que Sistemas Pastoris Intensivos
podem ser tão rentáveis quanto agricultura de grãos com altas
produtividades. É importante lembrar que qualquer influência nos
fatores descritos na Figura 2 modifica este cenário.
Adubação fosfatada
É muito comum associar a alta eficiência de algumas culturas
(exemplo: pastagens) no aproveitamento do fósforo nativo dos solos
com baixa resposta da cultura a adubação fosfatada.
No caso da Braquiária pode-se observar na Figura 3 que a mesma
apresenta uma alta eficiência em aproveitar o fósforo nativo
presente no solo, porém o potencial de resposta desta espécie é
muito elevado, justificando a intervenção com a adubação do
sistema.

A Embrapa avaliou em um trabalho por 3 anos a eficiência do
Fosfato Natural Reativo de Arad e do Super Fosfato Triplo, ambos na
dose de 100kg/há de fósforo, na implantação de Braquiária, obtendo
resultados que comprovaram que as duas fontes apresentam a mesma
eficiência em produção de forragem em um ciclo de 3 anos (Figura
4).

Ao avaliarmos este trabalho podemos observar o benefício inicial
da fonte de fósforo prontamente solúvel e os benefícios do Fosfato
Natural Reativo de Arad após as primeiras etapas. Para a
maximização da eficiência no fornecimento do fósforo, atendendo de
forma mais eficiente às primeiras etapas e também as etapas
posteriores, recomenda-se atualmente a utilização de combinações de
fontes, ou seja, as linhas Ouropasto e Ourofós.
As linhas Ouropasto e Ourofós representam o resultado da
sinergia entre fontes de fósforo aciduladas e o Fosfato Natural
Reativo de Arad, trazendo benefícios na disponibilidade de fósforo
(pela sua liberação contínua) e benefícios na eficiência do fósforo
aplicado (pela interação entre os níveis de acidez das
matérias-primas) (Figura 5).

Adubação Fosfatada de Implantação
Durante a etapa de estabelecimento o nutriente mais importante é
o fósforo. Para a determinação da dose a ser aplicada existem
diversos critérios, como levando em consideração a exigência da
espécie em fertilidade, o teor de argila e a disponibilidade de
fósforo no solo.
Adubação Fosfatada de Manutenção
Na etapa de manutenção a adubação fosfatada deve ser balizada em
função da produtividade almejada, da exigência da espécie em
fertilidade e dos níveis de fósforo no solo.
Para solos onde o teor de fósforo está adequado recomenda-se a
aplicação do nutriente em doses que permitam tal extração, de
acordo com a produtividade (Tabela 4).

Em solos onde o teor de fósforo não está adequado, recomenda-se
a aplicação das doses acima calculadas, de acordo com a
produtividade e espécie, acrescido de uma quantia visando a
correção do solo (fosfatagem gradual).
Para se encontrar estes valores de fosfatagem gradual deve-se
utilizar a expressão abaixo:
Corretiva Gradual = Teor de argila(%) x Fator
ß x 0,2
Onde ß varia em função da exigência da espécie por
fertilidade e do teor de fósforo no solo (Tabela 5).

Observações Finais
Este Boletim contém referências para o auxílio na tomada de
decisão em adubação de pastagens, para qualquer intervenção em
propriedade agropecuária é de extrema importância o acompanhamento
de engenheiros agrônomos ou profissionais afins.
Com esta filosofia a Ouro Verde disponibiliza sua equipe de
engenheiros agrônomos para assessorá-lo no manejo da adubação.
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