Fosfato natural reativo contribuindo com a indústria florestal
01-01-2004
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Por: Eng Ag,: M. Sc. Salvador
Definski Gullo
As indústrias que compõem o setor florestal brasileiro
destinam-se à produção de celulose, papel, carvão vegetal, chapas,
aglomerados, resinas e madeira serrada, além de óleos essenciais.
Em 2001, o setor contribuiu com US$ 28 bilhões, ou 4,5% do PIB
brasileiro. Neste mesmo ano, o Brasil tornou-se exportador de
celulose, obtendo um montando de US$ 1,2 bilhão. Hoje, ocupa o 7º
lugar entre os maiores produtores de celulose do mundo, além de ser
1º em celulose de eucalipto.
Atingimos em 2002 uma produção interna de celulose de 8 milhões
de toneladas, sendo 2 milhões em fibra longa (pinus) e 6 milhões em
fibra curta (eucalipto). As principais culturas utilizadas para
reflorestamento são o Pinus, Acácia Negra e Eucalipto. As áreas
cultivadas com acácia negra são pequenas e destinadas basicamente à
produção de tanino. As povoadas com pinus são extensas, apesar do
pequeno emprego de fertilizantes. Isso ocorre em razão do grande
vigor e agressividade no estabelecimento e desenvolvimento
inerentes a esta cultura. Na tabela abaixo, aparecem alguns dados
sobre as áreas de eucalipto e pinus no território nacional.

O setor florestal, além de contribuir para a nossa economia,
influi diretamente sobre o efeito estufa: para o sustentar uma
floresta plantada, na fase de crescimento, há a retirada de gás
carbônico (CO2) da atmosfera e liberação de oxigênio (O2). Devemos
lembrar que cada tonelada de aço produzida com carvão vegetal
consome 2,5 toneladas de CO2, em média.
Na tabela abaixo, conforme informações de entidades ligadas ao
setor, procurou-se determinar a distribuição aproximada do total
das áreas florestadas.

Conforme dados da Bracelpa, em 2004 as intenções e reformas
devem-se situar ao redor de 133.461 ha de eucalipto e 19.872 ha de
pinus. Até 2010, serão implantados e reformados mais de 903.979 ha
de eucalipto e 145.147 ha de pinus.
Informações da ABRACAVE mostram que na última década o carvão
oriundo de matas nativas reduziu de 24.355 ha para 26.900 ha. A
celulose, por sua vez, provém somente de florestas cultivadas. As
tendências para os produtos florestais apontam crescimento na
exportação, redução ou estabilidade do uso da oferta de áreas de
fertilidade razoável, além de busca por maiores produtividades com
monitoramento das áreas, emprego de tecnologias de ponta e uso
intensivo de fertilizantes.
Estando o reflorestamento em avanço sobre áreas de menor
fertilidade, acidez elevada, além de marcante deficiência de
fósforo, a aplicação deste elemento tem sido imprescindível para o
aumento e manutenção da produtividade das florestas. Assim,
necessitam-se medidas para aumentar a eficiência do fósforo, tais
como: calibrar a dose em função da análise do solo, utilizar
genótipos que apresentem maior eficiência na absorção deste
elemento, determinar a dose e época ideal de aplicação e,
principalmente, avaliar as fontes mais eficientes. Nesse contexto,
inúmeros experimentos têm sido feitos e, um em especial, implantado
em 1992 pelo departamento de solos da Universidade Federal de
Viçosa/MG e pelo Serviço de Investigação Florestal, em parceria com
a Fertilizantes Ouro verde, originou os seguintes pareceres:
1 - Riocell - O Fosfato Natural Reativo como
fonte de fósforo, tanto para o Eucaliptus dunii quanto
para o E. globulus, proporcionou melhores resultados em
relação ao uso do fosfato de Gafsa somado ao Super Fosfato
Simples.
2 - CENIBA - Não houve diferenças estatísticas
significativas entre os tratamentos que receberam Fosfato Natural
Reativo e os de fontes aciduladas.
3 - DURAFLORA - Na fase inicial do
desenvolvimento (até um ano), as fontes aciduladas proporcionaram
ao E. grandis um desenvolvimento mais rápido que com o
Fosfato Natural Reativo, porém, as respostas tenderam a igualar-se
no período de um a dois anos.
4 - JARI CELULOSE - Tanto nos testes em solos
arenosos como nos argilosos, as respostas ao uso do Fosfato Natural
Reativo comportaram-se de maneira semelhante às fontes 100%
solúveis. O Super-Triplo foi a fonte que mais se aproximou do
Fosfato natural Reativo. A aplicação do Fosfato Natural Reativo em
solo argiloso foi mais eficiente em faixas e sulcos do que em área
total. Para solo arenoso a aplicação em sulco foi superior.
5 - CELPAV
- Trat. 1 - Os efeitos do FNR foram mais expressivos no início do
desenvolvimento das florestas e no solo mais arenoso. Houve
elevação nos teores de fósforo e cálcio da manta orgânica do solo,
à medida em que foram aumentadas as doses de FNR. Houve crescimento
significativo da biomassa de raízes finas (diâmetro menor de 5 mm),
onde foi aplicado o FNR, principalmente quando as doses se
elevaram.
- Trat. 2 - As doses crescentes de FNR foram notadas no solo de
textura média apenas. A dose de 500 kg/ ha promoveu melhor efeito
no início do desenvolvimento da floresta (entre 6 e 12 meses), já
as doeses de 1.000 a 1.500 kg/ha obtiveram melhores resultados aos
três anos de idade.
- Trat. 3- Não houve diferença estatística significativa entre as
variáveis analisadas, em qualquer idade e nos dois tipos de solo,
no que se refere ao tipo de aplicação do FNR.

Este trabalho foi o precursor da divulgação do uso de Fosfato
Natural Reativo de Arad para a fosfatagem de florestas, de forma a
torná-lo a fonte alternativa de P mais utilizada no setor
florestal.
Além do fosfato puro, as empresas florestadoras têm solicitado
misturas complexas que contenham um percentual de Fosfato de Arad,
existindo elevada taxa de fósforo acidulado, para dar o arranque
necessário até o segundo mês pós-plantio. Como complemento, o
fosfato de Arad fornece o diferencial de P necessário para o
fechamento do ciclo da cultura. Além do fósforo, estas fórmulas
complexas denominadas Ourofós, podem apresentar nitrogênio,
potássio, cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes com liberação
gradual ou imediata, tudo determinado em função das análises de
solo e boletins oficiais de recomendação.