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Dendê

01-01-2006 Download do arquivo

Eng. Agr. Msc. Ricardo Cordeiro

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Em termos mundiais, a cultura do dendezeiro (Elaeis guineensis, Jacq.) permanece como excelente competidora com outras oleaginosas em relação ao seu rendimento de óleo por hectare, pela sua grande habilidade em transformar energia solar em óleo vegetal. Sua condição de planta perene com exploração econômica estimada entre 20 e 25 anos é considerada, pelo seu potencial de produção, uma alternativa economicamente viável, através da ampla utilização de seu óleo na indústria de laminação de aço, sabonetes e sabões, velas, cosméticos e de alimentos, como também de fonte de energia alternativa capaz de substituir óleo diesel.

Durante a década de 90 a cultura do dendê teve um dinamismo impressionante no Estado do Pará, apoiado por grandes empresas (Agropalma, Marborges, Palmasa, Dendê Tauá, CODENPA e outras). Estima-se hoje que o Pará apresenta uma área de aproximadamente 5 milhões de hectares com condições edafoclimáticas favoráveis a dendeicultura, onde 100% da produção de cachos é obtida de dendezais de cultivo, sendo sua produção de óleo de palma em torno de 125 mil toneladas de cachos com aproximadamente 50 mil hectares plantados.

Clima

O pólo dendeícola no Estado do Pará se concentra numa faixa situada aproximadamente entre 1º e 3º de latitude Sul e 47º e 49º de Greenwich.

Nessa região, como acontece na Amazônia a maior flutuação em energia solar, a temperatura do ar e umidade atmosférica está associada a distribuição das chuvas, que é o elemento climático de maior variação espacial e de maior repercussão na produtividade do dendezeiro na Amazônia. Assim sendo, o padrão das chuvas é o primeiro elemento a ser considerado.

Os demais elementos climáticos de notada influência nessa cultura, tais como: temperatura do ar, radiação solar, umidade atmosférica, vento e balanço hídrico da cultura são considerados posteriormente. No pólo de dendê-paraense, os totais de chuva anual variam entre 2200 e 3000 mm, com os maiores totais pluviométricos ocorrendo na zona central do pólo e os menores na parte sul do Estado do Pará (VIÉGAS e MULLER, 2000).

Solo

O dendezeiro pode ser cultivado em grande parte dos solos das regiões tropicais. Deve-se, porém, dar preferência aos solos profundos, bem drenados e planos, evitando os muito arenosos e argilosos. Na Amazônia, segundo Macedo e Rodrigues (2000), o dendezeiro vem sendo cultivado principalmente nos solos da classe dos latossolos, que são mais representativos na região. Quanto às características químicas, são considerados como solos com baixa saturação de bases, ácidos, com baixa capacidade de troca catiônica e, em geral, são deficientes em fósforo, como mostram os trabalhos conduzidos no Estado do Pará (Pacheco et al., 1985) e em Manaus, no Estado do Amazonas (RODRIGUES, 1993). Tomando-se também como base as características físicas, Macedo e Rodrigues (2000) concluíram que as classes de solos representadas pelos latossolos, desde que corrigidas as limitações químicas, são as mais adequadas ao cultivo do dendezeiro.

Característica do dendezeiro

O dendezeiro (Elaeis guineensis, Jacq.), é uma palmeira de origem africana, pertencente à família Arecaceae, que se desenvolve normalmente no clima úmido das regiões tropicais.

Também conhecida como palma africana, é uma árvore de porte ereto geralmente não ramifi cada, de sistema radicular pouco profundo, de grande área foliar devido ao grande número de folhas e ao tamanho dessas folhas.

De seus frutos podem ser extraídos dois tipos de óleo: o de polpa, chamado óleo de palma, conhecido no Brasil como azeite de dendê e o óleo de amêndoa (caroço) chamado óleo de palmiste, este muito parecido, na sua composição química, com o óleo de babaçu e de coco.

Segundo Pandolfo (1981), pode-se extrair até 22% de óleo de polpa e até 3,5% de óleo de amêndoa sobre o peso do cacho.

Nutrição e adubação do dendezeiro

O dendezeiro, com sua excelente capacidade produtiva, extrai quantidades consideráveis de nutrientes. O conhecimento da concentração dos nutrientes nos diversos órgãos da planta em sucessivos estágios de desenvolvimento é condição essencial para ajudar no entendimento de problemas nutricionais e nas recomendações de reposição de nutrientes, para manter o potencial produtivo da cultura. Dependendo do tipo de material vegetal plantado, clima, solo, espaçamento, planta de cobertura e outros fatores ambientais, a demanda de nutrientes pode variar em uma ampla faixa (Tabela 1).

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A determinação da necessidade de adubação para o dendezeiro deve ser feita em função da análise de solo e, principalmente, da análise foliar. De posse dos resultados da análise de laboratório, a interpretação deve ser realizada por um especialista em nutrição de plantas, levando em consideração os níveis críticos foliares de cada nutriente, os teores de alguns nutrientes no solo e dos resultados dos experimentos de adubação (Tabela 2).

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Devido ao ciclo desta cultura, existe a necessidade de fontes de nutrientes com liberação gradual. Desta forma, a Ouro Verde vem desenvolvendo inúmeros trabalhos desde 1993, na região da amazônia oriental, utilizando como fonte de fósforo, cálcio, condicionador de solo e o Fosfato Natural Reativo de Arad. Os resultados com este produto, e com as fórmulas Ourofós, vêm trazendo ótimos resultados agronômicos para os produtores desta região do Brasil.

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Referências Bibliográficas

MAC EDO, J.L.V. de e RODRIGUES, M.do R.L. Solos da Amazônia e o cultivo do dendezeiro. In: VIÉGAS, I. de J.M. e MULLER, A. A. A cultura do dendezeiro na Amazônia brasileira. Belém: EMBRAPA Amazônia Oriental-Pará; EMBRAPA Amazônia Ocidental- Manaus, Cap.5. 2000.

PAC HECO, A.R.; TALLIEZ, B.J; ROCHA, R.L.; LIMA, E.J. Lês defi ciences minérales du palmier a huile (E. guineensis Jacq.) dans la région de Belém, Pará (Brasil). Oleagineux, Paris, v.40, n.6, p. 296-305.1985.

PANDOLFO, C. A cultura do dendê na Amazônia. Belém: SUDAM, 1981. 35 p.

ROD RIGUES, M. do R.L. Resposta do dendezeiro (Elaeis guineensis, Jacq.) à aplicação de fertilizantes nas condições do médio Amazonas. Piracicaba: EZALQ, 1993. 81 p.(Dissertação de Mestrado).

UEX KULL, H.R. von.; FAIRHUST. T.H. Fertilizing for hight yield and quality: The oil palm, Berne: Internacional Potash Institute, 1991. 79 p.



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