Cultura do Trigo
01-07-2009
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Eng. Agr. M. Sc. Salvador
Definski Gullo
Descrição - Da família das gramíneas, do gênero
triticum, o trigo conta com, aproximadamente, 24 espécies; as mais
cultivadas são o T. aestivum e o T. durum. Em regiões de clima
temperado, e o cereal mais importante na alimentação humana.
Enquanto que, em regiões tropicais, as culturas de arroz e milho
predominam.
A cultura e anual, possuindo um ciclo variável entre 90 e 180
dias, dependendo das condições climáticas, de solo, alem do
genótipo. Pode apresentar variação de porte, oscilando entre 20 cm
e podendo chegar a 2 m.
Histórico - Esta gramínea esta intimamente
ligada ao desenvolvimento e progresso da humanidade. Escavações
arqueológicas no sul da França e na Suíça descobriram fosseis de
grãos de trigo junto com esqueletos humanos. Isto comprova que,
mesmo na pré-história, o trigo já fazia parte de nossa alimentação
básica. Sua utilização se intensificou no período em que o homem
deixou de ser nômade, obrigando-o a cultivar cereais próximo as
suas aldeias.

Acredita-se que as civilizações e o cultivo de grãos surgiram
praticamente juntos. O trigo foi levado da região mediterrânea para
outros países da Europa como Dinamarca, Suécia, Alemanha e Noruega,
onde foi gradualmente tomando espaço de outros cereais.
O primeiro pais americano a exportar trigo foi o Brasil, graças,
ao que parece, a sementes trazidas por Martim Afonso de Souza em
1534 para a então capitania de São Vicente (SP). Apos os cultivos
bem-sucedidos na região Sudeste do Brasil, onde a cultura se
adaptou bem, os trigais expandiram-se em direção ao nordeste.
Os Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e mesmo o Para, ao
norte do País, foram os primeiros a plantar o cereal.
No século XIX, a ferrugem atacou seriamente as plantações,
praticamente extinguindo as áreas de cultivo.
Foi somente a partir do inicio do século XX que o governo
brasileiro, interessado pelo potencial oferecido pela cultura,
resolveu premiar os melhores produtores nacionais, alem de
incentivar as pesquisas cientificas.
Estas pesquisas foram as responsáveis pela retomada do cultivo
do trigo, graças ao desenvolvimento de espécies
resistentes/tolerantes à ferrugem.


Uso de
fosfato reativo
em trigo e
Outras culturas- As primeiras utilizações em
escala comercial de fosfato reativo sobre a cultura do trigo
ocorreram na década de 70. A empresa responsável por este trabalho
foi a CRA (Companhia Rio-grandense de Adubos), a qual, sob
orientação de seus técnicos, desenvolveram in6meros fertilizantes
alternativos, dentre os quais a marca comercial hiperfosfato.
Este produto foi formulado com vários fosfatos, dentre eles:
Arad, Gafsa e Carolina do Norte. Em função dos preços
internacionais e da concentração das fontes, a empresa determinava
o fornecedor. Quando o fosfatado CRA era utilizado na forma pó (200
mesch), seus resultados Agronômicos sobre o trigo e outras culturas
comerciais ficavam ao redor dos 90% de IEA. A limitação deste
material era física, pois os equipamentos não se adequavam à sua
regulagem. Este motivo levou a empresa a granular seu fosfatado.
Com esta medida, sua eficiência agronômica foi reduzida para
60%, pela menor superfície de contato com o solo. A fim de
elucidar as dívidas sobre fontes fosfatadas alternativas, manejos,
granulométrica e outras, um grande projeto foi implementado em
áreas experimentais no Estado do Rio Grande do Sul, no período de
1974 a 1980, denominado "Uso de fontes alternativas de fósforo na
agricultura". Os responsáveis pelo mesmo foram a Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Federação das Cooperativas
de Trigo e Soja do RS (Fecotrigo), a Secretaria da Agricultura do
RS, alem da CRA. As culturas-alvo do projeto foram o trigo, a soja,
o milho e a aveia. Na década de 90, as pesquisas com os fosfatos
reativos foram reiniciadas, de forma a avaliar-se o efeito da
granulometria farelada sobre as mesmas culturas.
As entidades que encabeçaram os testes foram Fundacep, Fecotrigo
de Cruz Alta (RS), CNPT de Passo Fundo (RS) e UFSM em Santa Maria
(RS). No Boletim Tecnico 3, de titulo Eficácia de Fosfatos Naturais
Reativos em Sistemas de Cultivo (Kaminski, J. & Peruzzo, G.
1997), nas observações finais, está citado o seguinte: "Pelas
informações disponíveis constata-se que, nas observações em
períodos de mais de dois ciclos de cultivo, o somatório da produção
das culturas proporcionado pelos fosfatos de Arad e Gafsa, e dos
superfosfatos, praticamente se igualam, principalmente em solos que
já foram adubados com fósforo e apresentam acidez
intermediária.
Por isso, considerando-se os teores de P2O5 totais dos fosfatos,
pode-se sugerir que, se o preço dos fosfatos reativos forem
inferiores a 2/3 do valor do Super Fosfato Triplo, eles poderão se
tornar viáveis financeiramente como fontes de fósforo para culturas
anuais. Porém, nos solos pobres em fósforo, os fosfatos solúveis
são mais eficientes na primeira safra". Um dos experimentos
oficiais realizados pelo CNPT, Embrapa Trigo, em área com teor de
fósforo médio, mostrou que o uso de fosfato reativo de Arad em
cultivos sucessivos e uma opção tecnicamente viável, como mostra a
tabela a seguir:

Um teste comparativo do efeito residual e imediato de fontes de
fósforo e testemunha, nas doses de 50, 100 e 200 kg de P2O5/ha, em
Latossolo Vermelho Escuro Distrófico, sobre a sequência de culturas
soja, trigo e milho. Como é fácil observar no gráfico, no somatório
das produtividades dos três ciclos de cultura, o fosfato de Arad
igualou-se ao Super Fosfato Triplo (GTSP). Nas áreas que n20
receberam fosforo, as produtividades acumuladas atingiram 7.805
kg/ha; nas áreas com Arad, o somatório atingiu 8.833 kg/ha e nas
áreas com Super Triplo o somatório produziu 8.834 kg/ha. Além deste
trabalho, a Ouro Verde desenvolveu parcerias de pesquisa com
inúmeros órgãos oficiais, cobrindo todas as regiões do País, apesar
dos variados climas e principais tipos de solo. Estas parcerias
levaram a criação da linha de fertilizantes Ourofós, cujas formulas
foram desenvolvidas para serem utilizadas em situac6es
desfavoraveis de solo. No caso de solos pobres em fósforo, estas
composições têm o desempenho igual ao obtido pelas formulas
tradicionais, alem de superar os Fosfatos Reativos puros. Sempre
atrelado ao histórico da área e As analises de solo, a recomendação
do Ourofós nos permite escolher quanto fósforo necessitamos na fase
inicial do ciclo das culturas, e qual o percentual do mesmo que
deve ser de liberação gradual. Algumas composições especiais de
Ourofós nos permitem, em uma só operação, realizar a adubação de
manutenção juntamente com a fosfatagem da área, utilizando uma
fonte de fósforo nobre, mas de custo mais reduzido.
Área as para
expansão da
cultura - Conforme palestra apresentada pelo Dr.
Benami Bacaltchuk, da Embrapa Trigo, à Câmara dos Deputados em
Brasília, em 21/5/2002, as regiões produtoras de trigo nacionais
cobrem uma área de 5,2 milhões de hectares, apresentando potencial
produtivo de 12,9 milhões de toneladas de grãos. Além disso e,
considerando o potencial de plantio em novas áreas aptas às
culturas irrigada e de sequeiro, pertencentes a municípios dos
Estados de MS, MT, GO e MG, observa-se que menos de 10% do total
esta sendo cultivado com o cereal. De posse destas informações,
fica claro que o Brasil em breve pode tornar-se auto-suficiente
nesta cultura, pela grande disponibilidade de áreas agrícolas.
Conspiram para isso inúmeros trabalhos científicos da Embrapa
Trigo, de seleção de cultivares de elevada produtividade e
tolerância a doenças, que aliados a possíveis incentivos
governamentais, como seguro para frustrações, garantia de preço
mínimo, além de financiamentos para insumos, certamente anteciparão
nossa independência na cultura.
Comentário I - O crescimento das áreas de
plantio direto no Brasil, além de potencializarem a atividade
microbiana, estão acarretando um maior acumulo de nutrientes e de
matéria orgânica nas camadas superficiais dos solos.
Tomando isto por base, e levando em conta que a não movimentação
dos solos reduz a exposição do fósforo residual a fixação,
acreditamos que a utilização destas formulas Ourofós são uma ótima
alternativa técnica e econômica, visto que o consumo destas fontes
no Brasil está ao redor de meio milhão de toneladas.
Comentário II - a forma de
superarmos as crises dos preços percebidos pelos grãos, não só de
trigo como de outras commodities, além da concorrência de outros
países produtores, e elevarmos nossa produtividade. Hoje dispomos
de tecnologia de ponta, sementes adaptadas as condições climáticas
do Pais e orientação técnica capacitada. Unindo isso ao bom senso
de cada um, certamente o lucro vira.