Avaliação do desempenho do fosfato natural reativo de Arad e fosfato natural reativo de Arad + enxofre na cultura da cana-de-açúcar
01-04-2007
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Autor: Ademilson Palharim

A cana-de-açúcar (Saccharum sp), planta originária do sudoeste
asiático, volta a ter o destaque merecido tanto em nível nacional,
como mundial, devido principalmente a produção de etanol que está
se tornando uma das grandes alternativas para substituição
gradativa dos combustíveis fósseis. Sua utilização como combustível
ecologicamente correto, contribui e contribuirá, cada vez, mais
para a redução das emissões de carbono para a atmosfera e os
malefícios do efeito estufa.
Tal benefício gerou uma ampliação da área da cultura que,
segundo estimativas, só no estado do Paraná passou de 433 mil ha em
2005 para 550 mil ha em 2006, com previsão de chegar a 590 mil há
em 2007.
Com esse incremento vigoroso que acontece em todo o Brasil, a
adubação da cana planta se torna um item muito importante, por
determinar a longevidade e produtividade destes novos canaviais.
Desta forma, devemos voltar as atenções para a adubação fosfatada,
por se destinar ao bom estabelecimento da cultura e, garantir as
elevadas produtividades exigidas pelo setor sucroalcooleiro. Nesta
fase, o elemento fósforo é de suma importância. Pela sua baixa
mobilidade no solo, não deve ser aplicado em cobertura na soca, ao
contrário do que ocorre com as adubações nitrogendas e potássicas,
conforme orientação dos pesquisadores.
A principal dificuldade que temos, quando falamos em adubação
fosfatada, é a fixação do elemento P2O5 pelo solo. Este fenômeno,
deixa o fósforo indisponível temporária ou definitivamente para as
plantas. No caso da cana, como a longevidade do canavial é
indicador de sucesso, criar um banco de fósforo disponível, é um
fator determinante.
Desta forma, a utilização de fontes de fósforo como o Fosfato
Natural Reativo de Arad, que apresenta uma elevada taxa de
solubilização natural pela sua origem orgânica, se torna uma
alternativa mais do que adequada. Este fosfato, originário de
Israel, libera o nutriente fósforo para a solução do solo, de forma
gradual e contínua, reduzindo a fixação, comentada anteriormente.
Levando em consideração todos os fatores determinantes para a
cultura da cana-de-açúcar, buscou-se neste trabalho, avaliar o
desempenho do Fosfato Natural Reativo de Arad, em comparação com as
fontes tradicionais de fósforo (que apresentam alta solubilidade de
P2O5 em CNA + água). Utilizou-se como padrão de P2O5 o superfosfato
triplo (TSP), que além de apresentar alta concentração de P2O5
solúvel em CNA + água, possui comprovada eficiência agronômica, que
neste caso serviu como comparativo.
Neste trabalho foram avaliados diversos quesitos relacionados à
cultura, iniciando pela produtividade e se estendendo pela
profundidade do sulco de plantio da cana, análises químicas da
planta, custos de adubação e resultados econômicos dos diferentes
tratamentos. Os números aqui apresentados, se relacionam apenas a
primeira safra ( cana colhida aos 11 meses ). O término das
avaliações se dará juntamente com a vida útil do canavial.
A implantação desse experimento foi realizada na Fazenda Lagoa,
município de Jussara/PR. Essa área,é de propriedade da Cia
Melhoramentos Norte do Paraná. Tal escolha ocorreu pelo grande
crescimento da área de cana no norte e noroeste do estado do
Paraná, aliado ao fato da Cia Melhoramentos ser a empresa pioneira
na região, com origens na antiga Cia de Terras Norte do Paraná. A
mesma, fundada em 24 de setembro de 1925, foi responsável por toda
a colonização da região norte do estado, demonstrando assim, a
seriedade e a confiança nos dados obtidos no trabalho.
MATERIAIS E MÉTODOS
O ensaio, como descrito anteriormente, foi realizado na Fazenda
Lagoa, no talhão 33 da seção 08, onde a cultura anterior era
Pinnus spp. O estudo foi dividido em 04 tratamentos, nos
quais foram aplicados as doses correspondentes dos fertilizantes,
de forma a obter a dosagem equivalente de 190 kg / ha de P2O5.
Os tratamentos foram divididos da seguinte forma:
- TSP ( Superfostato Triplo 00.46.00 ) ;
- Arad (00.33/10.00 + 37% Ca + 1% S) ;
- Ourofós (02.30/17.09 + 19% Ca + 5% S) ;
- Arad 12S ( 00.27/08.00 + 30% Ca+ 12% S).
Cada tratamento foi sub-dividido, com o intuito de avaliar a
interferência da sulcação (realizada a 25 cm e 40 cm), gerando com
isso 8 parcelas.
Cada parcela com 6 linhas, distanciadas entre si de 1,40m e, com
uma área útil variando de 2335 a 2032 m2.
Todas as parcelas foram plantadas com a cultivar RB-86-7515 e
receberam o mesmo manejo, ou seja, uma calagem de 3 t/ha, cobertura
com 236 kg de SAM farelado. (21.00.00 + 24% S) e mais a aplicação
de 170 m3 de vinhaça / ha.
A distribuição da cana nos sulcos foi feita manualmente no mês
de novembro de 2005.
Foi realizada a queimada no dia 24/10/2006, e a colheita manual
no dia 25/10/2006. A cana foi embarcada em carretas rodoviárias,
separada por parcelas e, devidamente identificada. Os veículos
foram conduzidos até a usina, onde ocorreram as pesagens em balança
rodoviária e, foram retiradas as amostras de cada carreta que por
sua vez correspondiam a uma parcela.
Com isso, as carretas foram descarregadas e voltaram a pesagem,
onde se obteve o peso líquido por parcelas. As amostras foram
preparadas e analisadas de acordo com as normas da Consecana-PR e
pelo laboratório da própria usina.

















Conclusões
Os resultados do trabalho, demonstraram que a melhor
profundidade de plantio foi a de 25 cm, que apresentou os melhores
resultados nos quesitos avaliados.
O tratamento com ARAD 12 S ( Ourofós 00-27/08- 00 + 30% Ca + 12%
S ) , seguido do tratamento com ARAD ( 00-33/10-00 + 37% Ca + 1% S
), foram os que apresentaram os melhores resultados.
Os resultados obtidos demonstram a eficiência do Fosfato Natural
Reativo de Arad e Ourofós na adubação, já no primeiro ano de
cultivo, mesmo em solos altamente arenosos e pobres.
As melhores relações benefício/custo foram com os tratamentos
com ARAD 12 S e ARAD, respectivamente, o que demonstra que além da
eficiência agronômica, os produtos apresentam eficiência econômica,
quando comparados a uma fonte de "P" tradicional como o TSP
(superfosfato triplo).
O trabalho terá uma seqüência de 5 safras, sendo que a avaliada
foi a primeira, para se ampliar a análise dos resultados obtidos.
Nas próximas avaliações econômicas serão utilizados os preços da
época da avaliação tanto de tonelada de cana, como de fertilizante,
devido o preço do fertilizante oscilar sem estar vinculado
diretamente a inflação e ao câmbio, mas sim a uma associação destes
fatores, com os preços do mercado internacional.
Considerações Finais
A cultura da cana-de-açúcar tem mostrado uma grande evolução nos
últimos anos, tanto em aumento de área, quanto em tecnologia
empregada. Em função do petróleo ser uma fonte finita, poluidora e
estar nas mãos de países pouco estáveis, o etanol aparece novamente
como excelente alternativa energética através do etanol.
Esse fato motiva sua expansão para o Centro-Oeste com
conseqüente ocupação dos solos do Cerrado.
Atualização em Produção de Cana-de-Açúcar / organizado por
Silvelena Vanzolini Segato...[ et al.]. Piracicaba: CP 2, 2006. 415
p.:Il
DEMATTÉ, J. Cultivo mínimo. Álcool & Açúcar,
supl.esp.,p.38-42, 1984
CESNIK, R.; MIOCQUE, J. Melhoramento da cana-de-açúcar.
Brasília: EMBRAPA informações
tecnológicas, 2004. 304p.
RAIJ, B. V et al. Recomendações de adubação e calagem para o
Estado de São Paulo. 2. ed., Campinas: Intituto Agronômico/Fundação
IAC, 1996. p.237-239. (Boletim Técnico 100)
Ademilson Palharin é Assessor Agronômico da marca
Ouro Verde nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, graduado em
Engenharia Agronômica pela Fundação Faculdade de Agronomia "Luiz
Meneghel" .