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A Racionalização da Adubação Fosfatada na Cultura do Algodão

01-10-2006 Download do arquivo

Eng. Agr. Flávio Guanaes Bonini

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A cultura do algodão herbáceo (Gossypium hirsutum L.) vem se mostrando uma atividade com alta rentabilidade e com grandes possibilidades de expansão, principalmente nas regiões de fronteira agrícola.

A pluma brasileira vem ganhando competitividade no mercado externo devido a excelente qualidade de suas fibras e as altas produtividades. Em contrapartida, a cultura exige a utilização de técnicas e insumos de alta performance que reduzem os riscos pertinentes à atividade.

A construção da fertilidade do solo é uma poderosa ferramenta de diminuição de riscos.

O manejo adequado de elementos com funções estruturais e metabólicas como o fósforo, que participa da formação do "esqueleto" das plantas (principalmente raízes), no fornecimento de energia para a produção de fotoassimilados e na qualidade de produtos finais é de extrema importância para a sustentabilidade ecológica e econômica da cultura.

Exigências Nutricionais do Algodoeiro
O algodão já foi tido como uma cultura "esgotante" de solo, principalmente em regiões onde o manejo de pós-colheita resumia-se à queima dos restos culturais. Com a adoção de práticas conservacionistas de manejo como o cultivo mínimo do algodoeiro e a incorporação de restos culturais, houve ganhos significativos de produtividade, principalmente pela maior reciclagem de nutrientes e estabilização do sistema.

De maneira geral pode-se estimar através da literatura que, em média, para se produzir 1,0 tonelada de algodão em caroço (65 @/ha), são extraídos do solo aproximadamente 60 a 85 kg de N, 6 a 25 kg de P2O5 e 45 a 65 kg de K2O, além de 30 a 45 kg de Ca, 10 a 15 kg de Mg e 15 a 25 kg de S.

Na Tabela 1 são apresentadas as necessidades nutricionais da cultura do algodão considerando produtividades médias brasileiras e a forma com que estes nutrientes são fracionados dentro da planta.

Os dados isolados demonstram a grandeza das necessidades de nutrientes, entretanto por si só não explicam quais processos regem a marcha de absorção destes elementos. A absorção de nutrientes está intimamente relacionada às condições climáticas e, principalmente, à fisiologia da planta. De acordo com a fase predominante da cultura encontram-se demandas e balanços específicos dos nutrientes requeridos.

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O algodoeiro herbáceo absorve cerca da metade dos nutrientes até a plena floração, sendo que a alta demanda de nutrientes se dá no período entre a emissão dos primeiros botões florais e a formação das primeiras cápsulas. Dos nutrientes absorvidos, o fósforo é o elemento que mais se concentra nas partes colhidas. A quantidade de fósforo exportado através das plumas é proporcional à produtividade atingida.

Assim, o nutriente deve ser reposto de forma a não limitar a fertilidade do solo e cultivos subsequentes.

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Fósforo: Dinâmica de Absorção
O mecanismo de absorção gradual é muito evidente para o fósforo. No Quadro 1 é relacionada a necessidade de P com os estádios de desenvolvimento do algodoeiro.

É possível notar que a cultura apresenta necessidade de fornecimento do nutriente em quase todo o ciclo porque existem diversos processos simultâneos na planta que exigem gastos energéticos como a vegetação, a diferenciação floral, o florescimento e a maturação. Há um pico de absorção de P. 20-30 dias antes da máxima diferenciação de botões florais e outro pico no florescimento da cultura e desenvolvimento das maçãs.

Uma forma extremamente eficiente de suprir esta demanda de P é a utilização de fontes de liberação gradual de Fósforo. A Ouro Verde possui a linha Ourofós, fertilizantes multinutrientes onde a utilização de Fosfato Natural Reativo como uma das fontes de P proporciona a liberação gradual e contínua de fósforo ao longo de todo o ciclo da cultura, atendendo a demanda dos estádios fisiológicos do algodão e criando condições adequadas para a perfeita nutrição da lavoura.

Avaliação das Doses de Fósforo
Um assunto que deve ficar bem claro, entretanto, é que a longevidade da adubação fosfatada é também função da dose utilizada. De maneira geral, cotonicultores que utilizam alta tecnologia tem trabalhado com doses de fósforo que variam de 130 a 150 kg/ha de P2O5.

O Quadro 2 ilustra que o algodão é responsivo a doses superiores a 200 kg/ha de P2O5, porém isto nem sempre se faz economicamente viável com as fontes de P de alta solubilidade em água.

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A utilização da fosfatagem corretiva total (aplicação de P a lanço) para a correção dos teores de P do solo é uma prática que vem sendo muito difundida principalmente em áreas de solos de cerrado. Quando há utilização deste manejo, as adubações fosfatadas subsequentes para o algodão baseiam-se apenas no fósforo para manutenção de acordo com a produtividade esperada.

Quando se verificam as recomendações dos institutos de pesquisa brasileiros apresentados na Tabela 2 com relação a doses da adubação fosfatada para algodão, vemos que, em geral, as doses máximas para manutenção (solos com teor médio de P) não ultrapassam os 90 kg/ha de P2O5. Logo, as quantidades aplicadas acima destes valores médios para manutenção seriam consideradas, no sistema, como uma adubação (fosfatagem) gradual no sulco de plantio.

Desta forma, não se faz necessário que todo o P esteja imediatamente disponível às plantas e sim que parte dele corrija o solo e parte seja absorvido gradualmente durante o ciclo da cultura.

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Observações Finais
Devido a alta fixação de fósforo nos solos tropicais, a estratégia mais adequada para melhorar a eficiência agronômica deste nutriente não se resume à utilização de altas doses e de correção do perfil do solo.

Mais importante que adicionar fósforo "espacialmente" ao solo, possibilitando o acesso de todas as raízes do algodoeiro ao nutriente, é fazer com que este fósforo seja distribuído "temporalmente" no ciclo fenológico da planta, ou seja, de acordo com a demanda da cultura, não ficando esta liberação a cargo apenas do solo.

A utilização de fontes de liberação gradual de P como o Ourofós possibilita um manejo mais eficiente e econômico do fósforo, resultando em melhores produtividades, qualidade e fertilidade dos solos buscando sempre uma forma sustentável e ecológica de produção.

BIBLIOGRAFIA

STAUT, L.A. Fertilização fosfatada e potássica nas características agronômicas e tecnológicas do algodoeiro (Gossypium hirsutum L.), na região de Dourados, MS. 1996. 124 p. Dissertação Mestrado UNESP - Campus de Jaboticabal.

FURLANI JR., E.; SILVA, N.M.; BUZETTI, S.; SÁ, M.E.; ROSOLEM, C.A.; CARVALHO, M.A. Absorção de nutrientes e crescimento de algodão cv. IAC 22. Bragantia, 2000 (no prelo).

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Flávio Guanaes Bonini é Assessor Agronômico, formado em Engenharia Agronômica pela ESALQ-USP.



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